Todos os posts de TopSkills

Pesquisas x pesquisas

Luciano Lima – TopSkills.com.br

Ninguém questionaria a importância de se fazer pesquisas em qualquer área do conhecimento. Por outro lado, deveríamos questionar o que é  considerado pesquisa para as diversas áreas da ciência. Nos estudos sobre aquisição e aprendizagem de línguas há, por exemplo, inúmeras pesquisas que não atenderiam critérios mínimos para serem consideradas uma abordagem científica. Um bom exemplo é o emprego da teoria da complexidade aplicada à linguística. Nesse caso, a teoria foi transformada em um simples esquema metafórico para fazer descrições ‘holísticas’ sobre como seria o ‘processo’ de aquisição de um segundo idioma.

Essa constatação está bem explica no artigo de Kevin R. Gregg, entitulado Shallow draughts: Larsen-Freeman and Cameron on complexity. Nele, o autor mostra, com riqueza de detalhes e argumentos, o disparate com que foi proposto o emprego da teoria da complexidade como base teórica para se investigar a questão da aquisição de um segundo idioma. O autor chega a afirmar que é um desserviço a forma como as autoras  Larsen-Freeman and Cameron tratam essa teoria.

Curiosamente, e por força de se fazer parte de um grupo à época do meu doutorado, eu acabei por adotar* essa perspectiva teórica ao investigar o efeito da inclusão de chatterbots em ambientes virtuais de ensino a distância. Apesar de já à época eu ter observado a vagueza e falta de rigor na forma como o emprego desse paradigma ao estudo de ensino e aprendizagem de um segundo idioma era feito, hoje, dou minha mão à MISTAKEpalmatória por ter embarcado nessa canoa furada. Não obstante, insisti, já na redação de minha tese, em trazer um pouco de referências e de condições de pesquisa de outros autores e de outras áreas que se apresentavam bem coerentes (mais convincentes!) do ponto de vista do método científico. Propus e realizei uma coleta significativa de dados, acompanhada de um tratamento estatístico. Isso propiciou o emprego de um método investigativo confiável e com validação (análise quantitativa).

Contudo, o que se vê na prática de certos grupos da linguística é a insistência em se perpetuar por uma linha de descrições metafóricas que desprezam condições básicas da própria teoria da complexidade.  Por exemplo: para justificar seu emprego nos estudos sobre aquisição de um segundo idioma, modelos matemáticos e critérios de reducionismo do objeto pesquisado são simplesmente ignorados. O resultado dessa abordagem acaba sendo ‘conclusões’ do tipo `bigger than the world`. Não há, como consequência (ou inconsequência?),  nenhuma proposta real de avanço sobre qualquer item (métodos, didática, técnicas de ensino etc.) acerca da aquisição e do ensino de um segundo idioma.

O que se constata é tanto a simplificação das condições da teoria quanto da aquisição de uma segunda língua humana a simples esquemas metafóricos.  Nesse tipo de abordagem ‘complexa’ (e deturpada!) não é necessário sequer fazer qualquer investigação ou análise dos diversos níveis e eventos linguísticos (gramática, pragmática, fonética/fonologia, interlíngua etc.). Basta, a partir da adoção de um método qualitativo qualquer, considerar que toda língua(gem) humana é um ‘sistema’ e, portanto, seus ‘agentes’, ‘espaços’ e ‘estados’ são ‘dinâmicos’ e ’emergentes’ fazendo ‘esse sistema’ se ‘manter’ ou se ‘adaptar’, parando ou não em algum ‘vale’ por aí (!).

Os ‘dados’ para se chegar a esse conjunto de termos metafóricos genéricos são obtidos, usualmente, a partir da fala ou da coleta de depoimentos de alunos e professores (desde meia dúzia ou menos de sujeitos até algumas dezenas de declarações ‘espontâneas’). Isto é, não é necessário o levantamento de dados quantitativos (estatisticamente validados) muito menos robustos (minuciosos), de fato. Pior ainda, nesse tipo de pesquisa, qualquer meia dúzia de declarações é chamada de ‘corpus’ (!).

Por tudo isso, questionamentos como esses feitos por GREGG (2010) são de extrema importância para uma área do conhecimento que está abarrotada de pesquisas, artigos e livros (i.e coletânea de artigos) desprovidos de maiores rigores acadêmicos-científicos. Pesquisas essas que poderiam pertencer à áreas tais como análise do discurso, jornalismo ou mesmo filosofia, mas jamais incluídas na área de linguística.

Isto é, diante do status quo de várias pesquisas na área de letras no Brasil, fica evidenciada a importância da realização de mais revisões e de mais análises críticas realmente sérias. Torna-se primordial uma separação entre linguística e demais áreas da letras e artes. Procedimentos assim trariam avanços reais aos estudos linguísticos ao mesmo tempo que evitariam desperdícios de tempo e de dinheiro dos pagadores de impostos – os verdadeiros financiadores de um sistema estatal de educação e de pesquisas que carecem de estudos e de projetos realmente eficazes e consequentes.

* É notório, em certos meios acadêmicos brasileiros, condições de pesquisa bastante questionáveis: há, por exemplo, ‘instruções’ para que o aluno-pesquisador faça mais referências a pesquisadores brasileiros em preterimento a outros. Isso contraria frontalmente uma das condições para avanço na pesquisa: a busca e o emprego de referências e estudos mais robustas, ricas e coerentes (i.e. evidências), independentemente de serem desse ou daquele grupo nacional. 

Referências

Desafios da pesquisa no Brasil: uma contribuição ao debate. São Paulo Perspec.,  São Paulo ,  v. 16, n. 4, p. 15-23, Oct.  2002 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-88392002000400004&lng=en&nrm=iso>. access on  15  Feb.  2016.  http://dx.doi.org/10.1590/S0102-88392002000400004.

Gregg, Kevin R.  – Shallow draughts: Larsen-Freeman and Cameron on complexity, Second Language Research October 2010 26: 549-56.

Jordan, Geoff – Larsen Freeman’s IATEFL 2016 Plenary: Shifting metaphors from computer input to ecological affordances – publicado 19/04/2016. Disponível em https://criticalelt.wordpress.com/2016/04/19/larsen-freemans-iatefl-2016-plenary-shifting-metaphors-from-computer-input-to-ecological-affordances/

Machado, Rosana Pinheiro – Precisamos falar sobre a vaidade na vida acadêmica por  — publicado 24/02/2016 03h37, última modificação 24/02/2016 12h17. Disponível em http://www.cartacapital.com.br/sociedade/precisamos-falar-sobre-a-vaidade-na-vida-academica

Treinando sua pronúncia em inglês

É comum, para todos que falam a língua inglesa, ter dúvidas sobre pronúncias de termos, expressões e mesmo sentenças inteiras. E se pudêssemos consultar ao mesmo tempo não apenas um, mas diversos falantes em contextos diferentes sobre essas dúvidas? É isso que a ferramenta a seguir propõe: encontrar no Youtube trechos em que o termo ou expressão ocorrem. Dessa forma, você pode assistir e ouvir sua busca em diversos vídeos.

Outra grande vantagem dessa ferramenta é o fato dos videos exibirem trechos com pessoas dos mais variados locais e situações. Assim, temos uma amostra da língua inglesa nas mais diversas instâncias de ocorrências reais (não direcionadas ou adaptadas para um objetivo em específico).

Confira em:

youglish.com/

Happy International Women's Day!

Acreditamos em seu futuro tanto quanto você“.

Com essa frase, Google lançou, hoje, uma campanha bacana: OneDayIWill‬. Veja os detalhes em https://landing.google.com/onedayiwill/. Nessa página, além de explicar a criação da campanha, são citados também alguns grupos que “ajudam as mulheres ao redor do mundo a mudar o futuro”. 

Além dos grupos citados, há outro grupo que merece menção. Trata-se da International Education and Resource Network ou iEARN.

iEARN é uma organização sem fins lucrativos (ONG) composta por mais de 30 mil escolas e organizações juvenis em mais de 140 países. iEARN permite que professores e jovens trabalhem on-line usando a Internet e outras tecnologias de comunicação. Mais de dois milhões de alunos a cada dia estão envolvidos em trabalhos de projetos colaborativos em todo o mundo.

iEARN é:

um ambiente seguro e estruturado em que os jovens podem se comunicar

uma oportunidade de aplicar o seu conhecimento em projetos de ensino-serviço

uma comunidade de educadores e alunos que fazem a diferença, como parte do processo educativo

Como você pode participar?

Existem mais de 150 projetos na iEARN, todos desenvolvidos e acompanhados por professores e alunos para atender as necessidades curriculares e de sala de aula e de horários. Os Projetos acontecem no Centro de Colaboração iEARN (uma plataforma on-line). Alguns exemplos:

http://ussamaerrami.wix.com/echarif-el-idrissi#!our-meeting/c66t

http://collaborate.iearn.org/space-2/group-81

Para participar, professor e alunos selecionam um projeto on-line e podem integrá-lo em sua sala de aula.

Com o projeto escolhido, os alunos se encontram em espaços – fóruns on-line – para se envolverem com os participantes em salas de aula de todo o mundo que estão trabalhando no mesmo projeto.

Além de conectar a aprendizagem dos alunos com as questões locais e satisfazer as necessidades curriculares específicas, cada projeto proposto por professores e alunos na iEARN tem que responder à pergunta: “Como o projeto vai melhorar a qualidade de vida no planeta?” Esta visão e propósito é a cola que mantém iEARN coesa, permitindo aos participantes se tornarem cidadãos globais que fazem a diferença, colaborando com seus colegas ao redor do mundo. Todo mês de julho, há também uma Conferência Internacional da iEARN.

* TopSkills é membro institucional da iEARN internacional. 

ESL games

Que tal praticar e/ou aprender inglês por meio de jogos? Há inúmeros sites gratuitos com os mais variados tipos de jogos para se aprender e/ou praticar inglês. Evidentemente, cada jogo é feito pensando em determinada faixa etária, em um nível e em habilidade de inglês específicas. Além disso, os jogos podem ter os mais diversos tipos de objetivo (ex. certo/errado, missão, pontuação, estágios etc.). Fica difícil, portanto, indicar qual o melhor ou qual jogo é mais adequado sem se levar em conta os fatores exemplificados aqui bem como o próprio gosto do aprendiz.

De qualquer forma, é sempre bom aproveitar e testar suas habilidades linguísticas usando essa forma interativa, automatizada e disponível on-line gratuitamente. A título de exemplo, apresento a seguir algumas sugestões de games.

Word-based Games for ESL Students – muitas opções (matching, speed, jig-saw) para a prática de vocabulário (prefixes, suffixes, homonyms, opposites, irregular plurals/verbs, word forms etc.).

Audio Concentration/Memory Games – coleção de jogos de memória entre outros para se treinar a compreensão oral em inglês. vários exercícios com minimal pairs (i.e. distinção entre sons similares em inglês).

Connect Fours – Como já diz o nome desse jogo, você deverá conectar quatro termos em sequência. Para isso, você deve clicar nas palavras que pertencem a uma mesma categoria ou família. A cada 4 termos clicados corretamente, o sistema confirma a sequência e você ganha pontos. Acesse um exemplo desse jogo, que explora o vocabulário de itens de casa: Home vocabulary

Map Treasure Hunt – Localize locais no mapa seguindo as dicas ou fatos descritos. Exemplo: A German Capital – find the capital of Germany. Modern World History Revision (20 Missions). Use the clues to help you find the secret locations. The closer you have to ‘zoom in’, the more gold coins you win. Compare your scores to other people on the leaderboard as you make progress!

Irregular Verb Wheel Game – Gire a roleta para testar seu conhecimento das formas irregulares dos verbos em inglês. Mas, seja rápido pois o tempo é curto! De quebra, você será testado nas outras formas comuns de verbos em inglês tais como ‘infinitive’, ‘presente simple’, ‘ing participle’, ‘past participle’ etc.